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Antonio Lopes - Crônica 374 – Dia dos Mortos e o Luto

O feriado de Finados se transformou numa festa para a população brasileira, que congestiona as estradas em direção a diversos locais de lazer: praias, montanhas e estações de águas termais, lotando restaurantes e lugares festivos. Alguns ainda preservam o costume de ir ao cemitério no dia 2 de novembro e levar flores nos túmulos, lembrando com saudade, nas orações, dos entes queridos que já se foram.

Os mexicanos realizam grandes festas para homenagear a memória dos mortos. Conhecida como Dia de Los Muertos, a celebração vai de 31 de outubro a dia 2 de novembro. Nesse período as pessoas usam fantasias coloridas de caveiras, constroem altares dentro das casas e preparam as comidas e bebidas preferidas dos falecidos e, é claro, degustam e se embriagam com as oferendas.

Espanhóis com roupas coloridas levam flores para os túmulos e, à noite, saboreiam um doce especial chamado Hueso de Santos (Osso dos Santos), num clima festivo.

No feriado de Obon, em 15 de agosto, os japoneses lotam estradas, estações rodoviárias e aeroportos e fazem homenagens aos seus ancestrais, incluindo danças e comidas especiais, com retorno aos lares em que viveram com seus antepassados.

Para os americanos é o Halloween, tradição que vem sendo inserida no Brasil pela influência das escolas da língua inglesa.

Segundo Léon Denis (1846-1927), a data específica para a comemoração dos mortos é uma iniciativa dos druidas, pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento, ensino, jurisprudência e filosofia dentro da sociedade celta, que acreditavam na continuação da existência depois da morte e reuniam-se – nos lares e não nos cemitérios –, no primeiro dia de novembro, para homenagear e evocar os mortos.

No meio de tantos questionamentos sobre o que é morrer, encontramos pensamentos variados nas mais diversas culturas do mundo. Porém, precisamos entender que não se pode viver aprisionado aos que já se foram, caso contrário passa a ser patológico e o sofrimento não se dissipa. Até hoje, diversas crenças foram criadas para compensar as perdas por morte, pois não sabemos o que nos acontece depois da vida e o medo passa a ser um processo inconsciente de negação da morte, da qual ninguém escapa.

O inconsciente é eterno e atemporal. O ego agoniza quando enfrenta a realidade externa, com pavor do desconhecido, resultando em psiconeuroses que se manifestam com elevação da ansiedade, podendo se transformar em pânico. O luto é um processo de afetamento, que produz emoções com sentimentos difíceis de controlar. Quando se passa a aceitar a vida como ela é, o equilíbrio pode ser encontrado para a continuidade do ser, ampliando a capacidade de enfrentar as adversidades e se permitindo a aceitar o hoje, o presente, e que merecemos uma vida saudável e harmoniosa, apesar das nossas perdas.

É preciso saber viver!



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Diversos Há 1 ano