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Antonio Lopes - Crônica 359 - Pensamento Acelerado ou Hiperatividade?

A enxurrada de informações, estímulos digitais e tarefas em excesso mais televisão, computador e celular produzem um senso de urgência que podem afetar a saúde de uma pessoa e, coletivamente, contaminar filhos, pais e cuidadores. É um fenômeno que invade a mente e que tem tudo a ver com o volume de situações simultâneas que emocionam, especialmente para crianças, prejudicando o desenvolvimento das funções da inteligência, o que passa a ser rotulado como Síndrome do Pensamento Acelerado e se confunde com THDA, Transtorno de Hiperatividade com Déficit de Atenção.

Dificuldade em refletir antes de agir ou falar, expor e não impor ideias com grande ansiedade, tanto podem se manifestar em infantes, púberes, adolescentes e adultos. Isso prejudica a qualidade de vida, resulta em somatizações e se manifesta como doenças inexplicáveis. Perturbações do sono, dificuldade de concentração e repetição dos mesmos assuntos por longo período maximiza o nível de estresse, com irritações mentais que agitam numa luta eterna para atender as demandas inconscientes e conscientes do ser humano. Quando a pessoa se encontra nessas circunstâncias, seus exames laboratoriais ficam comprometidos, apresentando resultados diferentes de um dia para o outro e também de um laboratório para o outro.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde – OMS, 20% da população mundial se encontra deprimida, apresentando fadiga, dores de cabeça e musculares, irritabilidade, dificuldade de concentração, transtorno do sono e déficit de memória, devido ao cérebro cansado. Surge também arritmia cardíaca e respiração acelerada, com alteração da pressão sanguínea. Basta apresentar três ou mais dos sintomas citados para que um diagnóstico não seja feito da forma mais adequada.

A grande dificuldade é quando uma criança é rotulada com Síndrome do Pensamento Acelerado – SPA e isso é apresentado aos pais na frente da mesma, o que faz com que esse rótulo passe a fazer parte da sua existência, dificultando o tratamento. Talvez a fonte da aceleração esteja no seio da família, onde se encontra mãe insatisfeita com a própria vida, pai ausente e omisso na educação e demais pessoas da família que exercem uma carga de estresse prejudicial ao desenvolvimento de uma mente sadia.

É primordial dormir 8 horas ao dia no período noturno, estabelecendo um horário fixo para deitar. Desenvolver pequenos exercícios contemplando a natureza e buscar prazer nas coisas mais simples da vida, como ver o amanhecer, apreciar o brilho das estrelas, ouvir histórias agradáveis, relaxar assistindo a um bom filme, saboreando pipoca ou brincando de cozinheiro, fazendo pratos com criatividade.

Não levar o computador para a cama, não ficar conectado em dispositivos eletrônicos e assistir somente programas de TV que sejam de descontração e interessantes. Praticar atividade física contribui para a produção da beta endorfina que estimulará a circulação da serotonina, produzindo sensação de bem-estar: para isso, atentar para uma alimentação equilibrada e saudável para cada tipo de pessoa.

As crianças de hoje são tratadas como um objeto feito para competir e têm que aprender várias coisas ao mesmo tempo, ficando sem a possibilidade das descobertas infantis nas fases do desenvolvimento psicossocial/sexual, tornando-as modelo de satisfação dos pais, que mais tarde não compreenderão as dificuldades que surgirão na puberdade. É um assassinato coletivo da infância! A criança não tem tempo de ser criança e praticar a arte da contemplação. São treinadas para o sucesso e não para a felicidade. É necessário mudar as regras desse jogo para reduzir o conflituoso diagnóstico do pensamento acelerado e da hiperatividade.



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