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Antonio Lopes - Crônica 389 – De quem é a culpa?

Culpa é a frustração causada pela distância entre o que não fomos e a imagem daquilo que achamos que deveríamos ter sido. Surge o sentimento de culpa quando se viola a consciência moral pessoal. É um sentimento como outro qualquer, que pode ser amenizado ou resolvido terapeuticamente. Pode ser o resultado de um inadequado desenvolvimento pessoal e é possível ser uma limitação momentânea no processo de auto realização, causando mal-estar e insatisfação. É a severidade da consciência que, vigilante, cria pensamentos que atormentam o ser humano.

Como defesa do Ego, ao se fracassar em alguma coisa é comum procurar um culpado para aliviar o desagradável sentimento de fraqueza ou de incompetência nas atividades pessoais e profissionais.

É bastante comum, nos relacionamentos, procurar atribuir ao outro a culpa, para assim se livrar da responsabilidade dos atos praticados. O senso nos ensina que a infração de uma regra social vem, normalmente, seguida de uma consciência mais ou menos dolorosa, ligada à recordação da transgressão cometida e do eventual sofrimento que tal ação pode provocar em outrem.

Se algo não dá certo, logo vem o pensamento – de quem é a culpa? – e, com isso, esforços mentais se manifestam para afastar a possiblidade de assumir a responsabilidade por um erro ou por uma falha qualquer, buscando alternativas enganosas que justifiquem a seu favor ou que possam condenar alguém. Na linguagem popular, isto é ‘tirar o seu da reta!’

De quem é a culpa passa a ser defesa do Ego orgulhoso, que não tem maturidade suficiente para entender que o que interessa é a solução e não a condenação. Para buscar um desenlace diante de situações que são circunstanciais, é necessário desenvolver humildade que neutralize reações sentimentais prejudiciais. No entanto, parece que institivamente ficamos com vergonha de assumir nossas falhas, prejudicando a busca de aprendizado para alcançar melhores resultados, seja lá no que for. Arrependimentos lembrados de vez em quando chegam a atormentar durante algum tempo, há também os que carregamos a vida toda. Várias pessoas seguem perturbadas por causa do passado e têm a vida seriamente prejudicada por isso. Na crônica de início do ano escrevi que as cagadas do ano passado sirvam de fertilizantes para o Ano Novo. Isto quer dizer que podemos assumir nossos erros e utilizá-los para encontrar melhores soluções.

Pessoas que se culpam o tempo todo não conseguem confiar em si e em mais ninguém. Medos e crenças extremamente limitantes resultam num rebaixamento da autoestima. Sentimento de impotência e de incompetência inibem a possibilidade de liberdade para suas vidas, devido ao peso que carregam com um falso estigma de que têm que pagar por sua culpa e não merecem ter sucesso. O resultado é a depressão e o bloqueio das suas capacidades para a realização de qualquer coisa. É preciso deletar o passado e não ficar procurando de quem é a culpa, para permitir que a energia dispendida seja direcionada para a busca de soluções que conduzam à melhor qualidade de vida



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