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Antonio Lopes - Crônica 341 - Falando na Educação do Ser

Ensinar e aprender. Fenômeno observado em qualquer sociedade e necessário para a preservação dos valores morais e éticos, costumes e tradições, visando perpetuar suas crenças e modelos instituidos. A educação (enquanto aprendizado) varia de acordo com as regiões e raças, responsável pela sua manutenção e perpetuação para as gerações, dos modos culturais de ser, estar e agir necessários à convivência e ao ajustamento de um membro no seu grupo.

A educação se inicia na mais tenra idade: mesmo que a criança não tenha nenhuma formação de ego, ela irá registrar os afetos que a acompanharão por toda a existência. Ainda no ventre materno os registros acontecem, com percepções sensoriais as mais variadas.

Compreender as emoções que as crianças enfrentam com seu mundo de fantasias e respeitar seus espaços é de grande importância. O bebê de seis meses já tem no cérebro mais de 250.000 neurônios, que registram as emoções e afetos, sentindo as situações de relacionamento entre pais, famíla e pessoas que envolvem o ambiente em que vai nascer.

A Educação do Ser envolve um estudo das várias fases do desenvolvimento humano, desde a fecundação até o fim da vida, fases essas que sofrem influências das mais diversas: professores, cuidadores, membros da família e do reduto social onde circunstâncias culturais incutem valores como verdadeiras marcas indeléveis na formação.

A criança pequena tem necessidade muito forte de sua mãe com a expectativa, baseada em experiências anteriores, de que ela atenda seu choro. Sua ansiedade é aguda quando parece tê-la perdido, é confusa e assustada em um ambiente desconhecido, procura recapturá-la excitando ao máximo seus recursos. Fica invadida pelo medo e pelo desejo de aconchego que somente sua mãe pode lhe proporcionar. Com frequência chora alto, balança o berço, joga-se para o lado e busca ansiosamente qualquer sinal ou som que possa ser de sua mãe desaparecida.

Na visão de Freud, a criança busca insistentemente a satisfação dos seus desejos. É no período da infância que vêm as transformações do desenvolvimento físico e mental, chamadas de fases Oral, Anal e Fálica. É na educação inicial que a criança definirá a sua opção sexual e projetará para o futuro os traumas e angústias que influenciarão na sua jornada, com manifestações de neuroses e transtornos que definirão sua qualidade de vida.

Um dos grandes desafios da Psicanálise frente à Educação é o de cruzar caminhos entre esses dois saberes. Como cruzar esses caminhos, quando até mesmo Freud considerou a educação como algo da ordem do impossível? Não se pode responsabilizar totalmente a escola, mas sim a estrutura familiar onde a criança forma seu ego e seu consciente. É preciso verificar se os pais estão preparados para educar.

No período da Educação Básica a criança está na fase de descobertas, curiosas sobre a vida. É quando inicia a formação da sua personalidade que irá propiciar a condução por toda a sua existência. A educação sofre mudanças, das mais simples às mais radicais, de acordo com o grupo ao qual ela se aplica, e se ajusta à forma considerada padrão na sociedade. Mas acontece também no dia-a-dia, na informalidade, no cotidiano do cidadão. Portanto, olhar para a educação e estimular o aprendizado é o que poderá produzir pessoas mais conscientes e seguras.



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