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Antonio Lopes - Crônica 395 - Surfando nas ondas da política

Já falamos sobre ‘Como uma onda no mar...’, e agora vamos surfar sobre as ondas que poderão definir a qualidade de vida para toda a nossa nação. As ondas mudam de direção e se arrebentam na praia ou nos rochedos das encostas: vamos imaginar que estamos surfando e pegamos uma onda ruim, não conseguimos manter o equilíbrio e caímos, sem conseguir ficar em pé na prancha, ou nos estatelamos nos rochedos. As ondas traiçoeiras nos enganam e podem nos aniquilar, afogando-nos nas falcatruas e desgovernos dos dirigentes do nosso país.

Levanta, se esforça, sobe novamente na prancha, rema com os braços, força, muita força, lá vem outra onda; posiciona-se, lembra da técnica de como permanecer na prancha, atenção na linha central da longarina, posição do corpo, rapidamente se movimenta empurrando para cima com os braços, corpo arqueado buscando uma base para os pés, fica em pé sem medo, busca equilíbrio e sente o prazer de pegar e dominar uma onda do mar.

Assim é na vida! Quantas vezes uma onda nos derruba, chegamos quase a nos afogar no mar de dificuldades, de emoções e de problemas, perdendo as forças e a coragem para começar tudo de novo, com medo de novamente cair. Vamos começar de novo a votar e fazer escolhas sem conhecimento profundo dos monstros que habitam esse mar. Isto dá medo!

O medo: esse é o grande inimigo inconsciente que precisamos dominar e, toda vez que vier uma onda difícil e desconhecida, a escolha é nossa, se enfrentaremos o desafio. Ao superar ou fracassar, entenderemos que o exercício sempre será para que consigamos nos desenvolver na arte e na capacidade de enfrentar – e superar – as adversidades. O mar da nossa existência existe para aprendermos a nadar e até a gostar das dificuldades, pois é com elas que conseguimos dominar o medo e, assim, conquistarmos as realizações tão necessárias para alimentar nosso Ego. O medo vem do que desconhecemos e de sermos enganados. Para isso, poderemos exercitar a cidadania procurando cada vez mais o respeito pelo outro e exigindo que também sejamos respeitados.

Estamos num mar revolto e furioso, com a economia e a política desestruturadas e cheio de lama. O Judiciário, a duras penas, agindo com cautela para não desencadear ainda mais confusão social. Os políticos, agitados, estão se organizando para uma corrida na disputa presidencial com a presença de alguns politicossauros e faraônicos. Parece que múmias criam vida, disfarçadas de homens do bem, cuja trajetória está marcada por incompetência e ambição desmedida na formação de parcerias predadoras, com tantos partidos que querem tirar vantagem. Além das ondas, iremos enfrentar esses tubarões que se escondem em máscara de golfinho, nadando nas ondas do futuro da nação.

As ondas enganadoras podem nos jogar nas profundezas do abismo e estão sendo formadas, como um verdadeiro tsunami. Precisamos estar preparados para surfar com exímio equilíbrio sobre elas. Esse equilíbrio pode ser representado pelo que fizemos para o momento atual: se temos reservas para o presente momento, vamos encarar com tranquilidade todos os compromissos dessa onda do primeiro quadrimestre do ano. Sim, reservas financeiras e culturais para permitir alcançar um melhor resultado nas nossas escolhas pois, além de corrermos o risco de naufrágio das nossas economias, podemos ser vitimados com o desastre moral. É preciso olhar para a Bandeira Nacional e entender que precisamos de Ordem e Progresso.

Mar de dificuldades pede disciplina para que não haja ação sem treino, disciplina para saber a hora de gastar a energia que nos dá força para pegar a onda. Saúde financeira para conseguir subir na prancha das despesas, força para sustentar as emoções, equilíbrio para não cair e habilidade para surfar para onde quisermos chegar, com visão de futuro, com um sentido coletivo de existência social.

Vamos treinar?



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