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Antonio Lopes - Crônica 411 - Síndrome de cinderela

Levadas a acreditar que é necessário alguém mais forte para protegê-las, mulheres se deparam com uma realidade diferente dos sonhos de mocinha, quando precisam assumir suas responsabilidades num mundo cada vez mais competitivo, com valores alterados sobre a constituição de uma família, precisando estar sempre arrumada e se preparando para o seu príncipe da vida moderna. O casamento vai perdendo seu objetivo e, com a liberalidade, passam para uma “união estável” e com isso têm dificuldade em lidar com a liberdade individual necessária para cada um.

Tendo de fazer todos os serviços domésticos e alvo de chacotas , a mulher de hoje exerce múltiplas funções. Com essa qualidade feminina, muitas delas fantasiam a Síndrome de Cinderela, sonhando com um “príncipe encantado” para serem felizes. Mulheres se reconhecem “cinderelas” ao pensar que a solução de todos os problemas depende de encontrar o seu “príncipe encantado”.

Quando chegam na fase dos 34 aos 38 anos, manifestam forte desejo de ter um filho. É a força da natureza humana afetando a mente, provocando sensações de incapacidade, medo de não mais conseguir se realizar como mulher, culminando com uma tristeza interna que não sabem de onde vem. São lindas, mas sentem-se feias e pensamentos de que estão gordas, mal-ajeitadas, passam a perturbar dia a dia, reduzindo a tão necessária autoestima.

Um conjunto de comportamentos e medos reprimidos passam a bloquear a criatividade, afetando a potencialidade da mente, surgindo uma dependência psicológica de que é indispensável ser cuidada por alguém, para que possam ser felizes. Algumas, como Cinderela, se refugiam no trabalho, sublimando em estudos e assumindo mais responsabilidades, para não ter tempo de pensar na angústia do desejo reprimido de procriar. Passam a cuidar de cachorros como se cuida de um bebê e esses bichinhos carinhosos parecem suprir a necessidade de satisfazer seus sonhos de amor não realizados.

Por terem uma atividade cerebral que se comunica com os dois hemisférios do cérebro em forma periférica, podem ser bem mais competentes em diversas áreas e usufruir das suas percepções e sentimentos com um sexto-sentido apurado. Mães, filhas, esposas, donas de casa, executivas, batalhadoras, amantes, precisam dispender uma enorme quantidade de energia diariamente, para superar suas adversidades e conquistar seus espaços neste universo desafiador e exigente. Assim, o Príncipe Encantado pode ficar longe e parecer desnecessário.

Na clínica de psicanálise encontramos mulheres independentes profissionalmente, que alcançam remuneração muito superior ao do companheiro por serem bem decididas, ótimas profissionais, mas de forma inconsciente parecem retomar a Síndrome de Cinderela, como se precisassem de alguém para se completarem e serem felizes. Algumas se submetem por falta de opção e os egos buscam incessantemente satisfazer seus perturbadores inconscientes.

Vivem um relacionamento aquém do merecido e algumas vezes abusivos, por não conseguirem viver sem a pseudonecessidade do outro para se completarem, passando para a “Síndrome da Metade da Laranja” ou “Tampa da Panela”. Esperam em vão que alguém complete o vazio emocional.



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