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Antonio Lopes - Crônica 371 – Economia e Comportamento

Falar de economia e comportamento num universo capitalista, que estimula o consumo, é observar como o ser humano é alvo das explorações publicitárias, que estão cada vez mais entendendo como provocar desejos com imagens, vídeos e propagandas subliminares. O bombardeio nas diversas mídias atingem o indivíduo, que é movido pelo princípio do prazer. Quando um desejo é alcançado, novamente a busca pelo prazer se projeta para outro objeto, formando um ciclo interminável, constante, de insatisfação pessoal.

Os fatores cognitivos utilizados distribuem afetos de grande capacidade emocional, mostrando posição social, status, felicidade profissional, pessoal e familiar, exaltação do narcisismo e promessa de uma vida de fartura, beleza, competência, liberdade e lazer contínuos.

Os estímulos visuais, cenestésicos e auditivos, desenvolvem sonhos com uma energia destruidora da capacidade de raciocínio, criando sensações para a conquista de alguma coisa, e a pessoa passa a acreditar que precisa a qualquer custo de algo que ela pensa que não pode viver sem ter. Emoções consumistas fervilham na mente humana e, com isso, disparam as compulsões e não conseguem mensurar resultados. A racionalidade fica extremamente prejudicada e não se pensa em mais nada, a não ser realizar seus prazeres.

É semelhante ao consumo de droga, lícita ou ilícita. Dar apenas uma bicadinha pode levar a despertar a ansiedade para saborear mais um pouco e assim o gesto se torna repetitivo, com pensamentos de que só alcançará a felicidade se realizar as pulsões do inconsciente.

A forma como a pessoa administra suas finanças, se é que administra, revela muito do seu inconsciente que desequilibra o ego (“Eu”), com dificuldades para lidar com seu dinheiro, tendo como resultado neuroses que afetam os relacionamentos familiares e, também, acarretam dificuldades sexuais.

Freud assinalou o importante papel da força do dinheiro, citando que há muito mais loucuras e neuroses associadas ao poder da riqueza. A avareza, como objeto de estudo do mestre da psicanálise, remete à teoria de transtorno na fase anal, que se encontra nos colecionadores, agiotas e os “pães-duros”, que não abrem a mão e sofrem se desperdiçarem algum dinheiro. A forma como a pessoa leva sua vida financeira está muito mais ligada à personalidade do que se pode imaginar.

Na fase anal, quando a criança está aprendendo a controlar os esfíncteres, as fezes passam a ser para ela um bem precioso e ela chega a presentear pessoas queridas com seu excremento, esparramando com as mãos nas paredes. A prisão de ventre pode ocorrer para manter o que é seu e não jogar fora como um desperdício. Isso explica o transtorno da fase anal.

O desejo incontrolável pelo dinheiro denota a histeria de um quadro maníaco, com neurose obsessiva para juntar e reter o máximo para si, podendo ser identificado nas pessoas que querem acumular cada vez mais, sem limites, perdendo a noção do tamanho da sua riqueza e ganância.

Já o desdém pelo dinheiro pode ser também uma histeria e, o esbanjamento, um quadro maníaco que desestrutura a vida do ser humano.

São patologias na vida cotidiana de cada um, havendo uma diferença de pessoa para pessoa, com graus variados de comportamento em relação ao dinheiro e como resistem às campanhas de consumo que são veiculadas sem parar. Aprender a lidar com o dinheiro para seu benefício promove tranquilidade e reduz a ansiedade.

Desejo, pulsão, compulsão e racionalização são emoções que atingem a todos e isto é 100% humano.



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