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Antonio Lopes - Crônica 346 – Estou doente e agora?

Viver doente, com dor de cabeça, indisposição física, muito sono e sem vontade alguma de sair de casa revela um desânimo que abate o físico e a mente levando ao desejo de ficar dormindo, não conversar com ninguém e se isolar de qualquer meio social, formando um quadro bastante complicado que pode levar a uma tristeza profunda.

Ficar agoniado, como se alguma coisa apertasse o peito; faltar energia; faltar o ar; parece que o coração dispara; sobe a pressão arterial; sensação de que o corpo vai explodir e que há algo preso dentro de si; não consegue raciocinar para organizar o dia; as atividades e os compromissos se tornam um enorme peso, como se carregasse uma grande mochila cheia de chumbo nas costas. Sensação de desmaio, queda da pressão, sem energia para se movimentar, dor no corpo, sono interrompido várias vezes, pesadelos e irritação...

Desejo sexual desaparece, perda do prazer na vida, pensamentos de automutilação com ímpetos de morrer para aliviar alguma dor mental: todo fica sem sentido e parece que não vale a pena lutar contra essa situação, que domina implacavelmente a possibilidade de existir.

Medo de dirigir, medo de trânsito, medo de lugares fechados, medo de falar em público, medo do escuro, medo de ficar só, medo de fazer alguma coisa, medo de amar, medos, medos, medos!!

Quantas pessoas estão assim e não conseguem melhorar? Há manifestações no organismo que são provocadas por doenças psíquicas, para as quais não se encontra um diagnóstico clínico e os sintomas são tão variáveis que confundem, resultando num quadro desesperador. Conselhos e palpites de amigos, parentes e familiares aumentam ainda mais a tortura, como se jogassem gasolina na fogueira.

É preciso entender que se tratam de manifestações mentais que desenvolvem doenças, desequilibrando totalmente a possibilidade de viver com alguma qualidade. Procurar psicoterapias que proporcionam recuperação mental, associando-as a tratamento multidisciplinar, com uso de medicação adequada, é o caminho para se alcançar uma recuperação tão necessária para o ser humano. Importante entender que doença mental precisa de tratamento, como as demais que nos levam aos médicos e aos remédios.

O remédio para as doenças mentais está em vencer o preconceito e entender que o equilíbrio emocional é fundamental para uma vida saudável, mas principalmente em conhecer a si próprio e se permitir ser o que se é. Alguns têm vergonha de ir a um psicanalista, com medo de que as pessoas saibam que está fazendo terapia, submetendo-se ao julgamento dos outros. Importante ter em mente que o psicanalista não julga: ele busca pontos na sua fala que devem ser repensados, analisados... por você mesmo.

Desavenças familiares dizem “vá procurar ajuda, você precisa!”. Na realidade, quem está dizendo é que mais precisa de tratamento. Quando um corpo adoece é porque a psique está doente, em agonia, psique é a alma que clama por harmonia. O equilíbrio mente-cérebro-corpo é obtido com ações conscientes de que cada um é capaz de homogeneizar a energia interna com a força dos pensamentos. Identificar os afetos que estão causando o transtorno possibilita a tomada de decisões para se livrar de doenças inexplicáveis.



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