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Antonio Lopes - Crônica 345 - O bom humor e as piadas (chistes)

Ao ouvirmos um comentário que nos parece engraçado somos atingidos por uma onda cômica, que nos faz rir inconscientemente. Dependendo do estado emocional, ao ver uma cena de alguém escorregando e caindo desajeitadamente, o riso se manifesta de forma involuntária - bem usado num programa de televisão, porém pode provocar pena e vontade de socorrer. Se estamos conversando com alguém ou um grupo de amigos e em um dado momento ouvimos uma frase mal colocada, mesmo que estejamos conscientes que não era o que a pessoa queria dizer, o riso se manifesta e o quadro se torna divertido, dando um sentido pitoresco hilariante.

Da mesma forma, quando queremos dizer alguma coisa e sem querer falamos outra, pode ser uma manifestação inconsciente de algum conteúdo interno que transforma a situação de forma espirituosa, que poderá ser motivo de risadas. Estamos falando de formas linguísticas que dão sentido diferente ao pretendido, que são chamadas de ‘atos falhos’ e ‘chistes’.

É comum, num grupo de pessoas, as piadas que para alguns são hilariantes e para outros são inconvenientes. Quando num grupo se desenrolam piadas com conotação sexual, provocando gargalhadas generalizadas, talvez quem as esteja contando esteja rindo do seu lado bissexual, sem saber que o tem. Piadas de mau gosto, sobre a inteligência das mulheres, fazem os machistas rirem e enfurece as mulheres. A história da piada, no entanto, pode ter significado não entendido por quem conta, podendo contribuir para superar algo que lhe falta ou que é da sua própria natureza.

Um comentário que dá sentido diferente daquele que realmente tem, dando um toque de humor, tornando-o prazeroso e divertido por um momento, pode ser denominado de chiste. É como uma válvula de escape do nosso inconsciente, que utilizamos para dizer em tom jocoso aquilo que realmente se pensa.

Os chistes, que são ironias do dia-a-dia, contribuem para um cotidiano mais leve e tolerável da realidade que vivemos, possibilitando uma conexão arbitrária através de uma associação verbal de ideias contrárias. Observamos que, com a onda de revelações assustadoras da corrupção, a criatividade em contos engraçados é estimulada e surgem piadas e mais piadas, que podem ter como significante uma repulsa da agressão moral e ética vivenciadas.

Os cômicos têm, em sua natureza, a aptidão de transformar o cotidiano em um verdadeiro palco de pilhérias, onde encontramos conteúdos de valores que fazem parte do ser humano, representando a nossa própria situação, que nos incomoda e rimos dela.

Desenvolver a habilidade de transformar situações em chistes é uma arte para amenizar as dificuldades de entender a realidade externa, modificando-a para um panorama que seja agradável, fazendo com que o significado de uma palavra possa se transformar para um significante que reduza a crítica interna e, assim, torne a vida mais suave e alegre.

Através do humor se pode reduzir as dores de golpes que a vida impõe e, quando se encontra o riso, é como um cobertor que protege do frio, uma máscara de segurança do próprio ego.

Costuma-se dizer que, quando as piadas surgem em grande quantidade, é porque a situação vai mal e, quando estas são poucas, a situação é boa. Podemos entender, então, que os chistes fazem parte de mecanismos de defesa da mente.



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