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Febre da proteína reacende debate sobre alimentação equilibrada no início do ano

Febre da proteína reacende debate sobre alimentação equilibrada no início do ano

Univali analisa tendências de consumo, novas diretrizes alimentares dos EUA e alerta para leituras simplificadas sobre o papel da proteína na dieta

Com a volta às aulas, a retomada das atividades físicas e a reorganização da rotina no início do ano, professores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) chamam atenção para a crescente valorização da proteína na alimentação e para os riscos de interpretações apressadas sobre o tema. A chamada "febre da proteína", impulsionada por produtos industrializados, suplementos e discursos de desempenho rápido, tem ampliado o consumo desse nutriente sem, necessariamente, promover uma alimentação equilibrada.

O debate ganhou visibilidade recentemente a partir da divulgação das novas Diretrizes Alimentares para Americanos 2025-2030, que recolocaram a alimentação no centro das políticas públicas de saúde. A repercussão do tema também tem aparecido em conteúdos jornalísticos e científicos, como o podcast O Assunto, que discutiu os impactos do consumo excessivo de proteínas na saúde.


Diretrizes dos EUA reforçam comida de verdade, não excesso de nutrientes

Na última semana, o governo dos Estados Unidos divulgou as Diretrizes Alimentares para Americanos 2025-2030, documento que orienta políticas públicas, programas de alimentação e ações de saúde no país. As recomendações indicam que a população deve priorizar alimentos integrais e fontes adequadas de proteína, ao mesmo tempo em que reduz o consumo de alimentos altamente processados e de açúcar adicionado.

Embora as diretrizes tragam uma elevação na recomendação de ingestão de proteínas, o documento não se resume ao aumento isolado do consumo de proteínas, mas à reorganização do padrão alimentar como um todo. Vale destacar que essas diretrizes alimentares são norte-americanas e, apesar de serem um instrumento importante, o nosso país possui sua própria diretriz: o Guia Alimentar para a População Brasileira.

"Trata-se de uma recomendação de alimentação e nutrição voltada para o nosso povo, nossa comida e nossa diversidade regional, considerando a cultura alimentar brasileira e fundamentada em evidências científicas", detalha a coordenadora do curso de Nutrição da Univali, professora Taren de Oliveira.

"As diretrizes deixam claro que a recomendação não se resume ao aumento isolado do consumo de proteínas, mas à reorganização do padrão alimentar como um todo", complementa.

 

Comer mais proteína não significa comer melhor

Na avaliação da Univali, as diretrizes internacionais ajudam a esclarecer um ponto central do debate: aumentar o consumo de proteína não autoriza a substituição de refeições por suplementos nem a concentração da dieta em produtos ultraprocessados com apelo nutricional.

"Há uma tendência de reduzir alimentação saudável a um único nutriente. Isso empobrece o debate e confunde as pessoas", afirma a professora Taren.

Dietas hiperproteicas, quando adotadas sem orientação adequada, podem deslocar nutrientes importantes, como fibras, além de gerar sobrecarga metabólica.

"Comer comida de verdade envolve variedade, proporção e contexto. Não adianta se empanturrar de proteína achando que isso, por si só, resolve saúde ou desempenho", reforça Taren.

Educação alimentar como compromisso institucional

A Univali destaca que a discussão sobre alimentação ultrapassa escolhas individuais e se conecta diretamente à saúde pública. Modismos alimentares, amplificados por estratégias de marketing e redes sociais, tendem a simplificar um tema que é complexo e atravessado por fatores culturais e sociais.

Esse debate integra ações de ensino, pesquisa e extensão da Universidade nas áreas da Saúde, Nutrição, Biomedicina e Educação Física, com foco na formação de profissionais preparados para interpretar tendências de consumo à luz da ciência.

"A universidade tem um papel decisivo na tradução do conhecimento científico para a vida cotidiana, ajudando a sociedade a diferenciar informação de promessa", destaca o coordenador do curso de Educação Física da Univali, professor Heitor Luiz Furtado.

Início do ano pede critério e informação qualificada

Com academias cheias, volta às aulas e reorganização da rotina, o início do ano intensifica a busca por soluções rápidas relacionadas à alimentação. Para a Univali, esse é um momento estratégico para reforçar a importância da orientação profissional e da informação baseada em evidências.

Ao estimular uma leitura crítica das diretrizes internacionais e das tendências alimentares, a Universidade reafirma seu compromisso com a promoção da saúde e com escolhas mais consistentes, afastadas de excessos e simplificações.




💙 Atenciosamente agradeço e sigo à disposição,


Cristina Teresa Santos

Assessoria de Imprensa

Gerência de Marketing e Comunicação

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Saúde 11/02