Uso de cigarro eletrônico altera microbiota bucal e eleva riscos cardíacos, aponta especialista da Univali
Revisão sistemática publicada em revista cientifica internacional revela que aerossóis favorecem bactérias patogênicas e inflamações sistêmicas
A boca funciona como uma das principais portas de entrada dos efeitos provocados pelo uso de cigarros eletrônicos no organismo. A partir dela, substâncias presentes no vapor desses dispositivos podem alcançar a corrente sanguínea e desencadear processos inflamatórios com impacto em diferentes sistemas, incluindo o cardiovascular.
"O vapor atua como modificador do ecossistema bucal, criando condições para o desenvolvimento de doenças que ultrapassam a cavidade oral", explica o professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Ivan Borges Jr.
Segundo ele, a cavidade oral também atua como via de absorção de substâncias com potencial de afetar diretamente o sistema circulatório. Especialista em Periodontia e docente na Be Dental School – iniciativa educacional vinculada à Univali dedicada à formação avançada em odontologia –, Borges Jr. acrescenta que esse processo amplia o alcance dos efeitos do uso de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) no organismo.
Alterações biológicas e impacto sistêmico
A relação entre as mudanças na microbiota bucal e os riscos cardíacos integra um estudo publicado na revista científica internacional BMC Public Health. De acordo com evidências compiladas na revisão sistemática "Systemic health consequences of e-cigarette use: from lungs to oral tissues" (Consequências sistêmicas do uso de cigarros eletrônicos: dos pulmões aos tecidos orais), o uso desses dispositivos provoca disbiose – um desequilíbrio da microbiota bucal –, com redução de bactérias benéficas e aumento de microrganismos associados a inflamações.
"Essa alteração biológica, somada à inalação de metais pesados, contribui para o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, estabelecendo uma relação consistente entre o hábito e riscos ao coração", explica o professor.
A absorção de substâncias citotóxicas presentes no aerossol ocorre de forma acelerada pela mucosa bucal, facilitando sua entrada na corrente sanguínea. Esse processo é potencializado pela presença de nicotina, formaldeído e acetaldeído, compostos associados a processos inflamatórios que podem repercutir no sistema cardiovascular.
Para o professor Ivan, os dados da revisão confirmam que os efeitos sobre os tecidos são imediatos. "Os estudos indicam que a exposição ao vapor altera a resposta imune local e modifica o biofilme oral, tornando-o mais agressivo. Esse cenário favorece doenças periodontais e amplia a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular, com níveis de nicotina que podem se aproximar dos observados no consumo de cigarros convencionais", afirma.
Ao incorporar evidências de revisões sistemáticas como a publicada na BMC Public Health à formação de especialistas, a Univali Be Dental School integra dados científicos internacionais ao cotidiano acadêmico, contribuindo para diagnósticos mais precoces e precisos.
"Compreender as alterações no ambiente oral permite ao cirurgião-dentista identificar sinais iniciais e atuar de forma preventiva diante de possíveis complicações sistêmicas", conclui o professor.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém, desde 2009, a proibição da comercialização, importação e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar no território nacional (RDC nº 46). Mesmo com a restrição em vigor, os dispositivos seguem em circulação por vias informais, mantendo o tema em evidência e desafiando estratégias de controle e conscientização em saúde pública.
Formação avançada e prática supervisionada em odontologia
Estruturada em parceria com grupos da área odontológica, como o Floripa Implants Team e o Implantoexcelência, a Univali Be Dental School está localizada no bairro Kobrasol, em São José (SC), e reúne cursos de especialização e aperfeiçoamento com atividades práticas em clínica-escola, integrando formação teórica e atendimento à população.
Nesse ambiente, os procedimentos são realizados por profissionais em formação, sob supervisão de professores especialistas, o que permite aliar aprendizado clínico à oferta de serviços odontológicos. A estrutura também é utilizada como campo de pesquisa e desenvolvimento de técnicas, aproximando a produção científica da prática assistencial.
A escola está inserida em um ecossistema já consolidado de colaboração com empresas do setor, no qual tecnologias, dispositivos clínicos e biomateriais circulam entre indústria, professores e estudantes. Essa dinâmica reduz a distância entre inovação e prática, amplia o repertório técnico e científico da formação e acompanha a velocidade das transformações na odontologia, especialmente em áreas marcadas pela incorporação constante de novas tecnologias.
A iniciativa se insere em um modelo de ensino que conecta formação profissional, pesquisa e prática clínica, ampliando a experiência dos estudantes e contribuindo para o acesso da comunidade a atendimentos na área odontológica.
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