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Antonio Lopes - Crônica 390 – A arte de criticar

Bastante comum nas pessoas ter a atenção mais voltada para os erros do que aos acertos. A espontaneidade em apontar defeitos se manifesta com pensamentos produzidos pela mente humana, sem avaliação ou conhecimento da realidade, ou como defesa do Ego para esconder fraquezas e deficiências pessoais. Erros são cometidos em virtude de sermos míopes da realidade alheia e das coisas da vida, resultando numa visão distorcida dosfatos. Segundo um ditado chinês, “O prego que se destaca é martelado”. Portanto, não importa se algo se destaca de forma positiva ou negativa. Se for negativa, tentamos ressaltar esses pontos para enaltecer nossa superioridade, apontando correções que não nos pertencem. Se for positivo é normal rejeitar e colocar defeitos, para que não se evidencie nossas deformidades. Martelamos o prego.

A palavra ‘crítica’ vem do grego ‘kritike’ e significa “apreciação minuciosa”. Aprendemos desde cedo a temer a crítica e criticamos sem sermos solicitados, dando opiniões sobre quase tudo. A crítica tem o poder de afetar a pessoa, tanto positiva como negativamente, produzindo sentimentos de satisfação quando boa e, de vergonha e raiva, quando ruim.

Ao fazer uma crítica vem a intenção destrutiva de algo negativo, o que procura reduzir o valor do outro, algumas vezes resultando em rejeição, sem antes analisar os detalhes dos quais não temos conhecimento. Duas são as formas apresentadas: crítica negativa e crítica construtiva. O complicado é quando se faz uma crítica negativa e se completa dizendo – “É para o seu bem”, ou “Você não aceita, nada mesmo”. Alguns se deliciam em criticar com piadas e riem com chacotas maldosas, e isso passa a ser assunto para muitas horas de inutilidade. A crítica destrutiva é amarga, desperta medos, insegurança e anseios pessoais, deixando sequelas psicológicas com sentimentos de vergonha, congelando pretensões futuras de fazer alguma coisa útil. Uma crítica nunca deve humilhar ou abalar a autoestima de alguém, pois produz reações adversas e imprevisíveis. A pior de todas é a crítica destrutiva que vem mascarada de construtiva.

As chamadas “críticas construtivas” podem ter o objetivo de encorajar e de melhorar, reforçar e desenvolver aptidões e talvez possam ser chamadas de feedback ou devolutivas. Um dedo apontado para a frente e três na nossa direção, por isso a necessidade de autocrítica, pois são três em nossa direção. Parece fácil jogar pedra na vidraça, mas bastante difícil ser a vidraça. Quando nosso estado emocional se encontra abalado, há uma tendência em criticarmos com mais severidade, sem apreciação minuciosa.

Aprender a receber crítica exige o controle de nossa tolerância, que é reduzida ou escassa e nos faz discordar, na maioria das vezes, da opinião do outro, pois reforçamos que a nossa opinião é sempre a mais certa, é mais lógica, mais inteligente e será a melhor escolha. É ser pretensioso e orgulhoso. Aprender a tirar a carapuça de sabidão e dono da verdade, de eterna vítima injustiçada é o caminho para o crescimento do ser humano. Há momentos em que, se não temos nada de bom para falar, é melhor ficar de boca fechada.

Podemos aprender a utilizar a crítica construtiva apresentando e apreciando o lado positivo que enxergamos. Utilizá-la como uma ferramenta de desenvolvimento e contribuição e não de punição e depreciação, ou de manipulação e poder. Deixar uma sensação de euforia e vontade de se reinventar, acertar arestas e agradecer a quem nos enviou a crítica e nos abriu os olhos, contribuindo para o nosso sucesso de forma desprendida e desinteressada. Quando uma pessoa recebe uma devolutiva ou depoimento por seu trabalho, ou por alguma ação, isso contribui para incentivar a melhorar e alcançar novos aprendizados.



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