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Antonio Lopes - Crônica 402 – Depois da tempestade...

De crise em crise, tempestades e tremores sociais, vivemos agora um tsunami na economia, causado pelos desmandos da incoerência política dominada por um narcisismo exacerbado na corte governamental, com uma devassa impressionante afetando a todas as pessoas, com prejuízos financeiros imensuráveis. Não bastasse a situação social complicada que atravessamos, herdamos novamente um clima de pessimismo sobre o nosso futuro. Mas, como tudo na vida passa, isto também passará.

Pensamos que já havíamos sido transpassados pela mais profunda recessão há dois anos: no entanto, tivemos agora a oportunidade de vivenciar um clima de desespero causando medo e insegurança em todos os níveis sociais, vislumbrando uma recessão com uma inflação assustadora pela falta de produtos e bens de consumo. As frustrações consecutivas tiram a esperança de um país melhor, haja vista que as pessoas – dominadas pelas forças do inconsciente, que clama pelo prazer incessante – buscam freneticamente alcançar alguma coisa que lhes seja favorável, não se importando com os demais. É a lei de “tirar vantagem em tudo” a qualquer custo, culminando com brigas, furtos e agressões, como numa selva sem lei, onde sobrevive o mais forte e o mais esperto.

Pela história da humanidade, o desenvolvimento humano só se cristaliza passando por desastres os mais variados, aprendendo a duras penas como sobreviver coletivamente e, quando alcança um nível satisfatório, a zona de conforto elimina a capacidade de pensar e prevenir situações futuras desagradáveis. Dessa forma, a exploração pelos mais espertos continua e, quanto mais desinformada a população, mais fácil de dominar com ofertas de migalhas.

Apesar desse cenário catastrófico que atinge toda uma nação, as mentiras continuam com falsas promessas, desperdícios e valores intangíveis. O desespero para conseguir um litro de água ou de combustível torna-se uma disputa constante. É como dois amigos que vão jogar tênis e após o aquecimento iniciam o jogo, tornando-se adversários. É a população disputando migalhas, como fazem os animais que se devoram entre si.

Tudo isso é resultado da falta de educação adequada na infância, onde está a fonte que poderá transformar o mundo vindouro. Hoje nossas crianças vão sendo contaminadas com valores morais e éticos inadequados para uma harmonia em sociedade.

Dizem que depois da tempestade vem a bonança, significando que depois de um desastre muito difícil de suportar sempre vem algo de bom, com a falsa esperança de um tempo melhor, mais sossegado. Isto mais parece uma forma de consolo que alimenta a fuga da responsabilidade de cada um na construção de um mundo saudável, porque dá trabalho e requer muito esforço para mudar. Pagamos mais caro com cotas menores, enfrentando filas e dissabores e continuamos dominados pelos mais espertos, que sugam as nossas energias e, igual a galinhas, recebemos farelos para matar a fome.



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