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Antonio Lopes - Ensaio Psicanalítico 417 - Neuroses

“Hoje estou numa neura!” Assim ouvimos lamentos e manifestações de pessoas quando estão nervosas e desorientadas sobre o que fazer, com dificuldades nos relacionamentos pessoais e profissionais. Esta fala incompreendida é porque não se está conseguindo atender aos seus desejos mais primários, os quais vão se acumulando e transformando-se em necessidades. Marcado pela própria natureza, o ser humano traz em sua origem, por fatores biológicos e ambientais, necessidades que marcarão o desenvolvimento da sua personalidade, a qual pode ser alterada diante de circunstâncias de um determinado momento e do meio em que está inserido.

Ao nascer, ferrado pela natureza da cultura ambiental, submetido à dependência de um outro, registra no inconsciente desejos que passam a ser necessidades reprimidas, marcas emocionais que, segundo Augusto Cury, formam a memória RAM – Registro Automático na Memória –, tudo o que lhe acontece durante seu desenvolvimento. O acúmulo dos afetos resulta em emoções e valores que consolidam sua personalidade: em determinado momento da existência, atingida por novas situações, libera emoções acumuladas, resultando numa neurose.

Para entender o que é neurose, vamos fazer uma analogia com o ataque de bactérias ou vírus que produzem inflamação e dor, com sintomas de que alguma doença está se manifestando e precisa de tratamento. Caso não haja tratamento, poderá ir complicando e desencadeará outras doenças prejudiciais ao corpo, culminando com sofrimento e deterioração da qualidade de vida, incapacitando o exercício das atividades diárias, tão necessárias para o bem-estar da pessoa.

A neurose pode ser considerada como uma afecção mental, que fragiliza a capacidade de enfretamento das circunstâncias de afetos involuntários, levando a um distúrbio dos pensamentos, como num turbilhão de descargas atômicas que não permitem o equilíbrio do raciocínio, provocando um curto-circuito neuronal que pode levar à loucura, com uma torturante manifestação de impotência existencial.

Os processos mentais ficam seriamente comprometidos, cegando a possibilidade de encontrar uma forma de se aliviar, pois a pressão interna provoca sensações piores do que um estado febril, resultando em desespero incontrolável, com crises de choro, agressividade, insônia, aumento da pressão arterial e taquicardia, numa excessiva situação de sensibilidade diante que qualquer situação, deformando a visão do mundo externo, em conflito com o mundo interno. É a Neurose!”

Os processos mentais e emocionais produzem fenômenos como pensamentos, comportamentos e sentimentos resultantes de forças motivacionais ou dirigidas para um objetivo que são interatuantes e opostos. Esses processos subjacentes ao comportamento humano e de sua motivação referem-se a todas as áreas mas, em especial, quando se manifestam de forma inconsciente, em resposta às interações e representações do ‘mundo interno’ do sujeito, bem como às influências ambientais e do ‘mundo externo’.

Involuntariamente, comportamentos são liberados sem controle, numa pulsão irresistível de descarregar a emoção que explode internamente atingindo a quem estiver na frente, sem levar em conta as consequências das ações manifestas. Xingamentos, gritos, palavras chulas e agressão física procuram extravasar o estresse interno, humilhando para se valorizar e ser dono da razão.

Falar das angústias com pessoas despreparadas para ouvir resulta numa enxurrada de palpites que não são adequados para solução, aumentando ainda mais a fogueira existencial, que agoniza por não encontrar solução. É necessário buscar profissional competente a lidar com as perturbadoras neuroses. 100% humano.



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